Dias Difíceis…

2 de maio de 2010 at 7:17 PM (1)

Após alguns acontecimentos nos dias que se seguiram à minha chegada de volta ao Brasil, após muito refletir decidi dividir aqui no blog algumas coisas muito pessoais. Será uma forma de organizar minhas idéias pra entender melhor o que está acontecendo.

Cheguei ao Brasil no dia 10 de abril. São Paulo já estava com a mesma temperatura de Roma, em torno de 15ºC. Misturado com minha saudade de casa, da família, do Brasil, do português, vieram algumas notícias nada agradáveis. Meu irmão mais velho, Theo, há cinco anos lutando contra a leucemia, havia entregado os pontos. Meu pai já estava em São Paulo há alguns dias, na casa do meu irmão, pra estar com ele nos últimos momentos de vida.

Na tarde do sábado, meu pai veio me ver na casa da minha tia. Muito triste e abatido, ficou olhando comigo as fotos da viagem, conversando. De repente caiu no choro. Eu fiquei estática, sem reação. Nunca vi meu pai daquele jeito, nem mesmo quando ficamos sabendo da doença em dezembro de 2004. Isso mexeu muito comigo. Me fez relembrar alguns momentos difíceis que passei com meus pais na época em que resolvi morar longe deles.

Quando entrei no avião no domingo à tarde, fiquei pensando se ainda havia algum motivo que me fizesse continuar tão longe deles. Neste momento, o que eu mais queria era poder estar perto, abraçar meu pai, poder pelo menos estar junto, pois não sei se poderia ajudar neste momento. Cheguei a Salvador às 19:30. Peguei um taxi, fui pra casa, comecei a arrumar as coisas pra conseguir dormir no meu quarto. Por volta de 23:00 recebi a notícia da morte do meu irmão. Sozinha, chorei a noite toda.

Não consegui voltar pra São Paulo para ir ao enterro. Pela manhã, quando fui trabalhar, olhei o horário dos vôos e não conseguiria chegar a tempo. Mais uma vez a distância.

Passei uma semana em estado de choque. Nem conseguia pensar direito em muita coisa. Estava tentando superar tudo daqui mas pensando principalmente no meu pai. Pelo telefone, dois dias depois, quando consegui falar com ele, ele me disse que ia ficar bem, que ia superar aquilo, mas que eu não tentasse me colocar no lugar dele, pois não fazia idéia da dor de perder um filho.Não faço mesmo. Mas sei o que é ver a dor de uma pessoa que gosto muito.

Não só pelo fato da perda de meu irmão, mas pelo medo de passar tanto tempo longe das pessoas que mais amo na vida, decidi ir embora. Vou voltar pra São Paulo, pra perto dos meus.

Essa decisão vai virar minha vida de ponta cabeça de novo. Não quero abrir mão da minha carreira, e por isso pode ser que demore um pouco pra minha vontade se tornar realidade. Ao mesmo tempo, estou com medo de começar tudo de novo. Casa nova, emprego novo, chefe novo, amigos novos. Quando vim a Salvador já foi bem complicado pois não conhecia ninguém. Lá eu tenho suporte, pelo menos.

Vou sentir falta do mar todo dia de manhã….

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1 Comentário

  1. tatiares said,

    oi Karin! fiquei emocionada ao ler seu post, e desejo tudo de bom na sua vida e dos seus. meus sinceros sentimentos. imagino o quanto deve ser dificil esta decisão, mas o melhor é acreditarmos no nossos sentimentos e seguir fiel a eles, e isso demanda coragem, por isso parabéns pela coragem de sempre!

    um abraço forte!

    Tati

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